“A incerteza da banca leva os investidores a apostarem em activos imobiliários”

O ano passado foi um dos melhores da década para o sector imobiliário, com a região Norte e a cidade do Porto a registaram grandes negócios nas áreas residencial, da hotelaria e dos escritórios.

por Álvaro de Mendonça

Aconsultora imobiliária Predibisa fechou o ano com um crescimento a rondar os 40%, intervindo em operações num valor próximo dos 100 milhões de euros, entre os quais a colocação do Hard Rock Café Porto no edifício Prestige e a comercialização do edifício Aliados 107, antiga sede do jornal “O Comércio do Porto”, reconvertido para habitação e comércio de luxo, ou a implementação da Eurocast, em Estarreja.
«Todas as áreas de negócio evoluíram positivamente, devido à grande procura por parte de estrangeiros, mas também à grande incerteza da banca, o que leva os investidores a apostarem em activos imobiliários», explica o director-geral da consultora Predibisa, João Nuno Magalhães.

Que razões explicam a alta do mercado imobiliário em Portugal?
Como todos sabemos, Portugal passou por uma crise financeira muito grande, da qual resultou uma estagnação na área da construção civil, que agravou o desenvolvimento do mercado imobiliário. Com os sinais de retoma da economia, muitos promotores resolveram apostar na construção, como forma de garantir aos compradores um investimento seguro. Paralelamente a este cenário começam a aparecer muitos estrangeiros que procuram este país como fonte de rendimento, através do imobiliário. A construção e a mão-de-obra ainda são consideradas baratas e Portugal apresenta características únicas perante o resto da Europa, nomeadamente a localização estratégica, a qualidade de vida e, acima de tudo, a segurança.

Porquê o interesse dos investidores estrangeiros? E em que áreas?
Tal como foi referido na resposta anterior, os estrangeiros procuram o nosso País por variadas razões, no entanto, é na área residencial que existe uma maior procura.

Há cidades/regiões mais interessantes para o investimento imobiliário? Quais e por que razões?
O Porto, Lisboa e a região do Algarve são as zonas que apresentam maior procura por razões evidentes. O Algarve é procurado principalmente pelo seu potencial turístico, Lisboa por ser a capital, o que lhe confere um carisma mais cosmopolita, lúdico e histórico e, no caso do Porto, por ser uma “jóia” descoberta recentemente e que tem vindo a crescer a um excelente ritmo. Ao ser distinguido pela organização dos European Best Destination como o “Melhor Destino Europeu 2017”, o Porto acabou por ter uma porta aberta para o mundo.

Que as áreas do imobiliário que garantem melhor retorno de investimento? Residencial, retail, hotelaria, escritórios, industrial?
Todas as áreas podem garantir um bom retorno, o que depende é a forma como o negócio é gerido. No entanto, actualmente, existe uma forte aposta na área residencial, nomeadamente para a vertente de “short rental”.

Face a outras alternativas de aplicação de poupanças, que vantagens oferece o investimento imobiliário?
A aquisição de um bem imóvel acaba por ser a obtenção de um bem físico com uma probabilidade baixa de danos, para além de trazer a possibilidade de oferecer alguma rentabilidade. Quanto à aplicação de poupanças, temos vários exemplos que acabam por se revelar verdadeiras incógnitas.

Há quem garanta que estamos a entrar numa nova bolha especulativa do imobiliário. Concorda?
Enquanto a procura for superior à oferta é impensável falar nesse assunto.
Temos muitos projectos em vista e clientes já garantidos. O Porto está na moda e continuará, sendo só este o motivo suficiente para negar qualquer bolha especulativa.

Por que razão não há em Portugal fundos e sociedades de gestão de investimento imobiliário?
Em Portugal existem vários fundos e sociedades de investimento imobiliário e a Predibisa trabalha com alguns deles, transmitindo o seu forte conhecimento do mercado imobiliário e aconselhando nas decisões mais estratégicas de investimento. De salientar que estes fundos e sociedades de investimento imobiliário estão registados no Banco de Portugal e na CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, cumprindo assim as normas de supervisão.

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