Ameaça concretiza-se. UE vai mesmo avançar com taxas punitivas contra os EUA

Comissária europeia do Comércio declara “guerra comercial” com os EUA.

A União Europeia pronunciou-se hoje contra as tarifas punitivas de 25% que os EUA impuseram a cerca de uma centena de produtos europeus e que entraram hoje em vigor.

«Lamentamos a escolha dos EUA de avançar com as tarifas. Essa etapa não nos deixa outra alternativa a não ser impor, em devido tempo, nossas próprias tarifas no caso Boeing, onde os EUA violaram as regras da Organização Mundial do Comércio», afirmou a comissária europeia do Comércio.

Cecilia Malmström indicou em comunicado que tanto a UE como os EUA violaram as regras da OMC e os dois mercados, «enquanto maiores fabricantes aeronáuticos do mundo, têm a responsabilidade conjunta de se sentarem e negociarem um acordo equilibrado e de acordo com as regras da OMC», algo que para a UE se mantém em cima da mesa.

«A Comissão vai monitorizar o impacto das anunciadas contramedidas dos EUA aos produtos europeus em causa, nomeadamente no sector agrícola», acrescentou a comissária europeia.

Os EUA começam hoje a aplicar tarifas punitivas de 25% sobre mais de uma centena de produtos importados da União Europeia.

A Organização Mundial do Comércio fixou em 7,5 mil milhões de dólares anuais as tarifas punitivas que os EUA poderão aplicar a produtos europeus, para compensar o país das perdas obtidas devido a subsídios ilegais atribuídos pela União Europeia à Airbus.

Cerejas, pêssegos, mexilhões, derivados de porco, queijo e iogurtes provenientes de Portugal estão entre a centena de produtos europeus que serão alvo de tarifas de 25% à entrada nos Estados Unidos.

O grosso das tarifas tem como alvo importações de França, Alemanha, Espanha e Reino Unido – os quatro países responsáveis pelos subsídios ilegais.

Amorim, Petróleos de Portugal, Bosch, Browning Viana, Continental, Hovione, IKEA Portugal, Navigator e Netsjets Transportes Aéreos são as maiores empresas nacionais exportadoras para os Estados Unidos da América. E, sendo assim, as que mais poderão sofrer com as tarifas aduaneiras. De notar ainda que entre os maiores investidores nacionais no mercado norte-americano estão a EDP Renováveis, a Hovione, o grupo Amorim, a Portucel e o grupo Pestana, também eles poderão ter que rever o investimento praticado naquele mercado.

Recorde-se que a UE deverá receber, já no início do próximo ano, autorização para avançar com uma ofensiva, já que os EUA também terão subsidiado ilicitamente a fabricante aeronáutica Boeing.

O bloco lançou uma consulta pública que durou até ao final de Maio sobre os produtos que seriam alvo de tarifas alfandegárias extraordinárias, resultando numa lista que representa cerca de 20 mil milhões de dólares de exportações dos EUA para a União Europeia.

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