Covid-19: Bolsa de Lisboa ‘derrete’ cinco mil milhões num só dia. Saiba quem perdeu mais

O novo coronavírus, bem como a guerra de preços no sector petrolífero, estão a motivar uma crise global à qual as bolsas mundiais não conseguiram escapar, nem a de Lisboa.

Em apenas uma sessão, o índice mundial da Bolsa de Lisboa acabou por se afundar ao registar perdas de quase 5,3 mil milhões de euros. As acções das maiores empresas nacionais, que integram o PSI20, na primeira sessão da semana (dia 9), sofreram no seu conjunto uma queda de 8,66%, seguindo a tendência negativa das empresas cotadas nas principais praças internacionais.

A queda foi motivada pelo pânico financeiro dos mercados, devido à conjugação de dois factores negativos: o surto viral de Covid-19 e a quebra da aliança entre o cartel da OPEP e a Rússia, que acabou por despoletar uma guerra de preços no barril de ouro negro, entre Moscovo e Riade.

O tombo de 5,3 mil milhões de euros no índice global desta segunda-feira, equivale a mais de 75% das perdas bolsistas de sete mil milhões de euros, registadas durante todo o mês de Fevereiro.

À escala mundial, não era registada uma perda diária tão significativa desde 2008, ano da falência do banco norte-americano Lehman Brothers, que esteve na origem da subsequente crise financeira. Na Europa, o anúncio do Brexit causou um efeito semelhante em 2016.

Contudo, de acordo com o economista britânico Philippe Legrain, ex assessor da presidência da Comissão Europeia no mandato de Durão Barroso, ao contrário do que aconteceu em 2008, esta nova crise financeira «foi originada na economia real que está a infectar o sistema financeiro», disse citado pelo ‘Expresso’.

A América Latina acabou por ser a região mais afectada nos mercados de acções desta segunda feira, com uma descida de 13% do índice MSCI. De seguida está Nova Iorque, registando uma perda de 7,7% e a zona euro, com uma descida de 7,4% para a área da moeda única.

O continente asiático, apesar de ter estado na origem do Covid-19, registou perdas muito menos significativas nesta segunda-feira, de apenas 4,4%.

Quem está a perder mais Bolsa de Lisboa?

A Galp Energia foi a empresa que registou uma maior queda em Lisboa, chegando mesmo a derrapar 25%, acabando por fechar com uma quebra de 16,5%, a valer menos 1500 milhões de euros que no fecho da sexta-feira. Os seus maiores acionistas, com destaque para a família de Américo Amorim, estão entre os principais perdedores.

A Sonangol, accionista indirecta da Galp, e a segundo maior accionista do BCP, também viu os seus investimentos em Portugal bastante afectados. As participações imputadas à petrolífera angolana, que é também castigada pela queda do petróleo, perderam 200 milhões de euros do seu valor num só dia.

Isabel dos Santos também saiu a perder, nesta segunda-feira, uma vez que as suas participações indirectas na Galp e na Nos desvalorizaram mais de 100 milhões de euros. A operadora caiu 6,6%.

Até a EDP foi afectada pela onda de crise, registando uma perda de 7,35%, bem como a Jerónimo Martins, que desvalorizou mais de 5%, ainda assim não registou das maiores quedas.

Por último, as acções da família Queiroz Pereira, a maior accionista da Semapa e da Navigator, desvalorizaram cerca de 166 milhões de euros, com a última empresa a cair mais de 9%.

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