Covid-19: Reserva Federal mantém taxas de juro próximas de zero

A Reserva Federal (Fed) anunciou hoje que vai manter as taxas de juro de curto prazo próximas de zero, como parte do seu esforço para estimular uma economia a entrar na sua pior crise desde os anos 1

 A Reserva Federal (Fed) norte-americana anunciou hoje que vai manter as taxas de juro de curto prazo próximas de zero, como parte do seu esforço para estimular uma economia a entrar na pior crise desde os anos 1930.

Em comunicado emitido depois da sua reunião sobre a política monetária, o banco central dos Estados Unidos anunciou que a taxa de referência permanece no intervalo entre zero e 0,25%.

Por outro lado, a Fed vai continuar a comprar títulos de dívida pública e hipotecários, para ajudar a manter as taxas de juro baixas e garantir que as empresas podem continuar a endividar-se, apesar de a economia estar quase paralisada devido à pandemia do novo coronavírus.

No texto não foi mencionado qualquer limite quantitativo ou horizonte temporal para as suas compras destes títulos.

“A Reserva Federal está empenhada em usar a totalidade dos seus instrumentos para apoiar a economia nestes tempos desafiadores”, afirmou o banco central, a abrir o seu comunicado.

A declaração da Fed também inclui a previsão “profundo declínio na atividade económica e um aumento das perdas de emprego”.

O extenso encerramento de empresas provocou cerca de 30 milhões de desempregados nos EUA no último mês e meio.

À medida que os ‘layoffs’ sobem, as vendas do comércio retalhista descem, juntamente com a indústria, construção, vendas de casas e confiança dos consumidores.

Durante duas reuniões de emergência em março, a Fed reduziu a sua taxa de juro de referência para um intervalo entre zero e 0,25%.

Anunciou também nove novos programas de empréstimos para injetar liquidez nos mercados financeiros e fornecer apoio às grandes e pequenas empresas, bem como às cidades e aos Estados.

A declaração da Fed de hoje é divulgada no dia em que o Departamento do Comércio publicou notícias preocupantes sobre a economia, com a produção económica a cair 4,8%, em termos anualizados, no primeiro trimestre do ano – o pior desempenho desde a Grande Recessão de 2008.

As perspetivas económicas devem ainda piorar, com uma previsão chocante de contração, em termos anualizados, do Produto Interno bruto ente 30% e 40% no segundo trimestre. E a taxa de desemprego pode atingir os 20%, quando o relatório sobre o mês de abril for divulgado na próxima semana.

Além daqueles cortes na taxa de juro de referência, o banco central já tinha também aumentado as suas aquisições de títulos da dívida pública e obrigações hipotecárias (MBS, na sigla em inglês) para injetar liquidez nos mercados financeiros e facilitar o fluxo de crédito.

A entrada da Fed no mercado do crédito às cidades e aos Estados levou o economista-chefe da PGIM Fixed Income e antigo diretor da Reserva Federal para as finanças internacionais, Nathan Sheets, a destacar: “O facto de estarem a operar nestes mercados não tem precedentes”.

Mas esta crise também não se compara com qualquer outra. Mais de 26 milhões de norte-americanos já se inscreveram para os subsídios de desemprego desde meados de março.

Devido ao colapso da economia, a inflação também começou a cair. Os economistas esperam que se situe abaixo de um por cento em 2021, bem baixo do valor de referência da Fed (2%).

Isto coloca outro problema à Fed: a descida dos preços pode levar os consumidores a adiar despesas, o que agrava ainda mais a situação económica.

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