Dos mercados

De Papel comercial a Yield To Maturity, a conclusão do Dicionário do Mercado, que temos vindo a publicar nos números anteriores da Risco, com a assinatura de Miguel Gomes da Silva, Head of Treasure and Trading da Caixa Económica Montepio Geral.

• Papel comercial. Valores monetários representativos de dívida de curto prazo (até um ano) emitidos por empresas sólidas e habitualmente vendidos a desconto.

• Payout ratio. Percentagem dos lucros que uma empresa distribui pelos seus accionistas sob a forma de dividendos.

• Penny stock. Acção cotada abaixo de um euro ou de um dólar.

• PER (Price Earnings Ratio). Preço da acção/resultados da empresa. É também um indicador de rentabilidade potencial de acções, obtido através da divisão da cotação do título pelo lucro líquido por acção da empresa cotada. Quanto menor é este indicador, maior é, em teoria, o potencial de valorização da acção.

• Performance. Desempenho ou rentabilidade de um activo ou carteira de investimento.

• Perpetuidade. Variável utilizada para projectar o nível de crescimento da actividade de uma empresa no futuro, com vista à sua avaliação no momento presente.

• PIB (Produto Interno Bruto). É a riqueza gerada por um país.

• Política monetária. É a área da política económica que é definida pelo banco central (por exemplo, o Banco Central Europeu ou a Reserva Federal norte-americana), que emite a moeda de um país ou união monetária.

• Política orçamental ou fiscal. É a área da política económica que é definida pelos governos, efectuando despesas de investimento e obras públicas, subsídios às famílias, incentivos ao investimento empresarial ou alterações na estrutura de impostos.

• Portefólio. Conjunto diversificado de activos que integra uma carteira de investimento.

• Posições abertas (open interest). Número de total de contratos em aberto, também designado de posições abertas de um futuro ou opção. Representa os contratos que ainda não foram exercidos, fechados ou que ainda não expiraram.

• Prémio (de uma opção). Preço da opção, ou seja, a importância que o comprador de uma opção paga ao vendedor da mesma; também se diz que um activo está a prémio, quando se encontra cotado ou avaliado acima do seu valor intrínseco (sobreavaliado), ou acima do seu valor de emissão (acima do par). Na situação inversa, diz-se que está a desconto.

• Price Book Value (PBV). O PBV é um rácio obtido através da divisão da cotação de uma acção pelo seu valor contabilístico. O valor contabilístico é, por sua vez, o resultado da divisão da situação líquida da empresa pelo número de acções emitidas. Quanto maior é o PBV, maior é o afastamento entre a cotação de mercado e o valor contabilístico e menor será, em teoria, a perspectiva de valorização futura.

• Price Cash Flow (PCF). É um indicador de rentabilidade potencial de acções, obtido através da divisão da cotação pelo cash flow por acção da empresa cotada. Quanto menor é este indicador, maior é, em teoria, o potencial de valorização da acção.

• Price target. Preço objectivo esperado para um activo.

• Price to Ebitda (PEbitda). Mede a relação entre o valor da empresa em bolsa e a sua capacidade para gerar fluxos monetários provenientes das suas actividades operacionais, num determinado período, por acção.

• Price to Sales (PS). Mede a relação entre o valor da empresa em bolsa e o das vendas da empresa, por acção.

• Prime. Taxa de juro bancária praticada aos clientes com melhor avaliação de rating e menor risco de crédito.

• Private equity. Investimento numa determinada empresa (cotada ou não), com vista a obter uma percentagem significativa do capital social, com o objectivo de interferir na gestão.

• Produtos estruturados. Produtos financeiros, normalmente de capital garantido, compostos por uma obrigação de cupão zero e uma opção de compra sobre um instrumento financeiro (por exemplo, um índice bolsista), que oferecem ao seu comprador uma participação na valorização do activo subjacente.

• Profit taking. Encaixe de ganhos após venda de um título que subiu.

• PSI 20. Índice composto pelas 20 empresas portuguesas com maior capitalização bolsista.

• Put. Opção de venda, que confere ao seu detentor o direito, mas não a obrigação, de vender um determinado activo numa determinada data futura a um preço (strike) acordado previamente.

R2. Medida econométrica que indica em que medida é que as variáveis independentes explicam a evolução da variável dependente.

• Rácio (ratio). Relação entre dois indicadores ou valores.

• Range. Intervalo de preços em que a cotação de um título oscila.

• Rateio. Distribuição de valores mobiliários pelos investidores na proporção das ordens de compra/venda por estes emitidos, quando, no âmbito de uma OPV/OPA, o total da procura/oferta excede a oferta/procura.

• Rating. Nível de risco de uma empresa, país ou pessoa particular. Quanto melhor a notação de rating, menor o risco de crédito da entidade em causa. Existem três grandes agências de rating que classificam as empresas e os países quanto à sua notação: a Standard & Poor’s, a Moody’s e a Fitch.

• Relative Strenght Index (RSI). É um dos indicadores de tendência mais utilizados em análise técnica. Um valor do RSI acima de 70 indica que o título está sobrevalorizado, dando uma indicação de venda mal este valor seja quebrado para baixo. Se o RSI tiver um valor abaixo de 30 indica a proximidade e uma reversão na queda, logo é um sinal de compra a executar, assim que esta barreira seja ultrapassada no sentido ascendente.

• Repo. Consiste na venda de títulos com um acordo de recompra futura (repurchase agreement). Trata-se basicamente de uma operação de empréstimo de activos, sendo cobrada uma determinada taxa de juro.

• Reuters. Sistema de informação utilizado pela maior parte dos profissionais dos mercados financeiros.

• Reverse repo. Consiste na compra de títulos com um acordo de revenda no futuro. É a operação contrária de um repo.

• Reverse stock split. Trata-se da operação contrária a um stock split, visando reduzir o número de acções e aumentar o valor da cada uma.

• Rho. Indicador que representa quanto é que o preço da opção ou warrant varia, quando a taxa de juro e os dividendos associados ao activo subjacente sobem ou descem.

• Risco. Termo que se refere à volatilidade dos preços dos activos, assim como a todos os factores que possam afectar a rentabilidade de uma carteira.

• Roll over. Extensão de um contrato de futuros, para além da sua data de vencimento original. Representa, na prática, a troca de um contrato que está no seu vencimento, pelo contrato com vencimento seguinte. Esta situação ocorre normalmente nos dois últimos dias antes do fecho de contratos (3.ª sexta-feira de cada mês), quando os investidores desejam manter as suas posições abertas por mais tempo.

• Securitização. Instrumento financeiro usado para converter uma carteira de activos não negociáveis em títulos mobiliários passíveis de negociação, transferindo os riscos associados para os investidores que os compram (ver titularização).

• Sell-off. Venda massiva de acções provocada por pânico nos mercados financeiros.

• Sharpe, índice. Rácio que permite medir a relação risco versus rentabilidade de uma carteira.

• Short selling. Venda de um activo a descoberto, sem o possuir em carteira (posição curta).

• Spin-off. Operação de separação de uma área de negócio de uma grande empresa, dando origem à criação de uma nova empresa.

• Spread. Percentagem de juro adicional somada à taxa de referência de um crédito ou de um cupão de uma obrigação, cobrada ao tomador do empréstimo, ou paga ao obrigacionista, que reflecte o nível de risco da operação. Factores como as garantias associadas, notação de rating, prazos entre outros, determinam o nível do spread.

• Startup. Designação de uma empresa em fase inicial de actividade.

• Steepening. Quando uma curva de taxas de juro assume uma configuração inclinada. O declive da inclinação depende da diferença entre as taxas dos prazos mais curtos em relação aos prazos mais longos (ver estrutura temporal de taxas de juro).

• Stock split. Operação através da qual uma empresa procede à desmultiplicação do valor nominal das acções representativas do seu capital social. Na sequência de um stock split, as acções passam a ter uma cotação mais baixa, mas o accionista passa a deter maior quantidade de acções. A capitalização bolsista não sofre qualquer alteração.

• Stock-options. É uma opção de compra (call) sobre a empresa onde se trabalha, onde é concedido, aos quadros superiores, a opção futura de comprar acções da própria empresa a um preço inferior, como meio de incentivo à produtividade. • Stop loss. Limite máximo imposto para as perdas.

• Stoxx 50. Índice composto pelas 50 empresas com maior capitalização bolsista da Europa.

• Straddle. Combinação de uma opção de compra (call) e de uma opção de venda (put) com o mesmo preço de exercício. • Strike (preço de exercício). Preço ao qual a opção pode ser exercida e o activo subjacente comprado ou vendido.

• Subprime. Refere-se aos detentores de créditos com pior notação de rating e que possuem, portanto, um elevado risco de crédito. Os spreads sobre as taxas de juro praticadas nesta classe de devedores são muito mais elevados, como forma de premiar o risco de falta de pagamento.

• Suporte. Linha que une graficamente os pontos dos mínimos de uma acção de cada dia em cada movimento, evidenciando uma tendência bullish (positiva). • Swap. É um produto derivado que tem como finalidade promover a troca simultânea de um activo financeiro por outro, entre dois agentes económicos. Por exemplo, no caso de um swap de taxa de juro, uma entidade paga uma taxa de juro fixa e recebe um fluxo de taxa de juro variável da outra parte.

• Taxa de câmbio. Valor de conversão entre duas moedas (à vista) ou taxa de câmbio fixada no momento presente, para servir de base a uma troca futura de um dado quantitativo de uma moeda por outra (a prazo ou forward).

• Taxa de desconto. Taxa de juro cobrada pelo Banco Central aos bancos comerciais.

• Taxa de juro. Preço ou custo do dinheiro no mercado de capitais, expresso em percentagem.

• Theta. Indicador que representa a perda de valor temporal de uma opção ou warrant (ver time decay).

• Tick. Mínima flutuação de preço admitida na transacção de um contrato de futuros ou de opções.

• Time decay. Perda de valor temporal de uma opção ou warrant. Corresponde à diferença entre o preço actual da opção e o seu valor intrínseco. Na prática, corresponde ao valor que o comprador deve pagar pelo potencial resultado (ou expectativa de valorização) da opção. O valor temporal vai diminuindo à medida que a opção se aproxima do seu vencimento.

• Titularização. Agregação de créditos com vista à sua negociação, através da sua passagem para uma entidade adquirente (o Special Purpose Vehicle – SPV), a qual procede à emissão de valores mobiliários de dívida, colocados junto de investidores, funcionando simultaneamente como forma de financiamento e de alívio do balanço. É muito utilizado pelos bancos que “vendem” o crédito à habitação dos clientes a veículos que emitem obrigações, que são posteriormente vendidas em mercado.

• Títulos de participação. Valores mobiliários tendencialmente perpétuos e que conferem o direito a uma remuneração fixa e a uma outra variável.

• Track record. Histórico de rentabilidades passadas.

• Tracker. Instrumento que replica um índice bolsista (por exemplo, ETF ou certificados).

• Tracking error. Medida estatística que avalia o desvio da performance de um ETF face ao índice de mercado que pretende replicar.

• Trader. Nome que se dá ao operador de mercado na linguagem bolsista.

• Trading. Designação de negociação na gíria dos mercados financeiros.

• Treasuries. Títulos de dívida pública norte-americana.

• Troika. Nome que se dá ao comité constituído pelo Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu.

• Underperform. Diz-se de um activo que apresenta uma rentabilidade abaixo da média do mercado.

• Underweight. Dar um menor peso a um activo na carteira do que o peso que ele possui no respectivo índice ou benchmark.

• Unidade de participação. É a unidade em que se divide um fundo de investimento. Está para os fundos como as acções estão para as empresas.

Artigo publicado na revista Risco n.º 9 de Verão de 2018.

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