FMI prevê défice de 7,1% do PIB este ano. Este será o pior resultado desde 2014

Apesar da gravidade dos números, o o FMI considera que Portugal terá um desempenho melhor do que a média do euro e que em 2021 o défice recua para 1,9% do PIB.

O Fundo Monetário Internacional prevê, esta quarta-feira no Fiscal Monitor, um défice de 7,1% do PIB para Portugal este ano. A confirmar-se estas previsões será o pior resultado orçamental desde 2014.

Contudo, as previsões apontam para que, já no próximo ano, Portugal regresse a um défice de 1,9%, abaixo do limite de 3% exigido pelo Pacto de Estabilidade.

O FMI justifica a expectativa de forte degradação das contas públicas com a atual conjuntura de pandemia e de profunda crise económica (a expectativa do Fundo é de uma recessão de 8% este ano), provocada pelas medidas de contenção.

Este cenário negro nas contas públicas é hoje um denominador comum entre os restantes países da zona euro. E Portugal continuará, ainda assim, com um saldo melhor do que a média, que será de 7,5%, antevê o FMI.

O défice orçamental português virá acompanhado de uma escalada da dívida pública, reforça o FMI, antecipando uma subida para 135% do PIB, num cenário em que Portugal se deverá manter como o terceiro país da zona euro mais endividado, atrás de Itália (155,5%) e da Grécia (200,8%).

A forte degradação das contas públicas nacionais prende-se diretamente com uma subida assinalável da despesa pública para 49,9% do PIB, prevê o FMI. Com a economia a enfrentar o impacto da pandemia, o Estado está a apoiar empresas e famílias, esperando-se, no entanto, um agravamento significativo do desemprego (a taxa deverá duplicar para 14% da população ativa), o que implica também mais gastos para a Segurança Social.

Este valor será o pior desde 2014, quando os gastos públicos atingiram 51,7% do PIB. (recorde-se que as despesas públicas tinham recuado em 2019 para 43,1% do PIB).

Do lado da receita, o impacto terá menor dimensão, com o FMI a prever que a receita vai cair para 42,9% do PIB, um resultado idêntico ao de 2018. Por enquanto, as medidas extraordinárias do Governo não deverão ter um impacto direto na receita.

O FMI prevê assim que o saldo primário (descontando encargos da dívida) venha a ser de um défice de 4% este ano mas , em 2021, a economia portuguesa deverá regressar ao excedente primário de 1%.

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