«Ganhar nem sempre é a única opção»

«No risk, no fun», afirma Rui Paiva, 51 anos, CEO e co-fundador da WeDo Tecnologies, o braço do grupo Sonae para as tecnologias de informação e o desenvolvimento de software, nas áreas do Revenue Assurance and Fraud Management.

Líder mundial do seu negócio, com cerca de 180 grandes clientes e presença em mais de uma centena de países, a WeDo é hoje uma multinacional que exige a tomada de decisões arriscadas a um ritmo quase diário. «Faz parte da vida de um gestor, sobretudo de uma multinacional, viver o risco e gerir o mesmo», desdramatiza este matemático, formado pela Universidade Nova, que em 1981 saiu da sua zona de conforto e resolveu desafiar o grupo Sonae para ser o seu parceiro num negócio tecnológico.
Começou a sua vida profissional em Outubro de 1989, na Portugal Telecom, de onde transitou, em 1992, para a rival Telecel, a actual Vodafone, já como IT Manager. Em Junho de 1995 integra a Hewlett-Packard e três anos depois muda para a Optimus, a telecom do grupo Sonae, onde assume o cargo de CIO (Chief Information Officer) e na qual se manteria até fundar a WeDo. Pelo caminho, foi também administrador não executivo da Solvo Biotechnology e administrador, até 2014, da Mainroad.
Além de CEO da WeDo Technologies, este graduado em Business Administration and Computer Management, que sabe que, fora da zona de conforto, «ganhar não é a única opção», é hoje também administrador da Bizdirect, Saphety, SysValue, S21sec, iTRust, Bright Pixel e Sonae IM (Investment Management).

O que é para si o risco?
Estar fora da zona de conforto, onde ganhar não é a única opção.

Os investidores portugueses são avessos ao risco?
São. Não temos essa cultura. Emprestamos. Não arriscamos. Tipicamente só culturas com escala são mais “risk takers”, pois, ainda que arrisquem perder, a escala é suficiente para que os ganhos possam cobrir as perdas.

E os bancos?
“Emprestadores”. Deve ser a sua função.

Por que não há em Portugal mais capital de risco?
Porque não existe escala para termos pessoas/entidades com cash suficiente para decidir atribuir uma percentagem dos seus activos a risco puro. Estou obviamente a extremar, mas o que existe de risco é muito pouco.

Já alguma vez tomou uma decisão arriscada? Qual?
Muitas. Faz parte da vida de um gestor, sobretudo de uma multinacional, viver o risco e gerir o mesmo. São tantas as decisões de risco a cada dia, que nem tem sentido identificar uma.

E alguma vez se arrependeu de não ter arriscado?
No risk, no fun.

Artigo publicado na revista Risco n.º 7 de Inverno de 2017/2018.

Ler Mais
Notícias relacionadas
Comentários
Loading...

Multipublicações

Marketeer
Sporting CP: partilhar é o maior presente de todos
Automonitor
Renault lamenta morte do pai dos Dacia Kwid, Sandero e Logan