Próxima semana à lupa. Aviso à navegação: fecho de contas trimestrais por entre forte turbulência nos mercados

Poucas semanas têm a capacidade de criar uma crise de nervos aos investidores, como a que se avizinha.

Poucas semanas têm a capacidade de criar uma crise de nervos aos investidores, como a que se avizinha. Os principais jornais financeiros a nível mundial espelham a preocupação com um ‘sell-off’ dos fundos de pensão no mercado acionista, no seguimento de um processo de realização de lucros e equilíbrio dos portfólios depois de um rally épico nos últimos meses.

Se isso não bastasse, Donald Trump a cair nas sondagens está mais volátil que nunca e esta semana já assistimos ao escalar das tensões comerciais entre os EUA e UE. Ainda a nível internacional, as preocupações com o escalar das infeções como resultado do desconfinamento levantam questões sobre novas restrições que podem vir a ser impostas nas próximas semanas.

Destaco neste sentido o que considero serem os três fatores fundamentais mais importantes na próxima semana:

Fecho de contas trimestrais nas empresas e ajuste dos portfólios dos fundos de pensões (terça-feira – 30 de junho)

A JP Morgan estima que instituições financeiras a nível mundial podem descarregar até 170 mil milhões de dólares com o fecho do trimestre. Isto significa que o risco de uma correção é real.

A expectativa é que a recuperação tenha deixado os investidores expostos ao risco no mercado acionista. Normalmente, estes fundos tentam manter um rácio de 60-40 entre ações e obrigações. Mas uma recuperação de mais de um terço deixou os investidores numa posição desconfortável. Para voltar a equilibrar os portfólios, muitos terão que vender.

Os volumes negociados têm vindo a cair e a liquidez é menor do que há uns meses, fator que poderá ter maior impacto nos movimentos.

Apesar do risco de correção, o consenso é de que não deverá resultar numa inversão de tendência e que a tendência altista de médio prazo deverá continuar forte no médio prazo.

‘Non Farm Payrolls’ nos EUA (quinta-feira – 2 de Julho)

Os dados de Maio revelaram criação de emprego quando o mercado não acreditava ser possível. Estes dados acabaram por cimentar o já forte rally nas ações a nível mundial. Os investidores estarão agora atentos à evolução do mercado laboral nos EUA.

Os analistas apontam para um novo registo positivo embora de apenas 3k na criação de emprego, enquanto que esperam ainda que a taxa de desemprego caia para 12,2% de 13,3%.

Dados positivos ou acima do esperado poderão aliviar alguma pressão sobre o dólar e suportar os índices norte americanos. O efeito das políticas expansionistas dos bancos centrais, a nível global, fazem com que, com o feriado de dia da Independência e fim de semana prolongado estes dados foram adiantados para quinta-feira.

Dados do PMI da manufatura nas principais economias (ao longo da semana)

Esta semana foi bastante positiva no que diz respeito aos dados do PMI que confirmaram que a recuperação a nível de serviços e manufatura têm sido realmente fortes. Dados acima do esperado mostram que o sentimento positivo dos empresários e investidores está suportado pela política expansionista dos bancos centrais, mas também por uma recuperação real na atividade económica.

Esta semana vamos ter dados importantes a nível da manufatura na China, EUA, Japão, Europa e Reino Unido entre outros de menor dimensão. Apesar de não destacar nenhum em particular, importa referir que a expectativa é que confirmem uma aceleração e que em alguns casos possa mostrar inclusive um crescimento (registo acima de 50). Com a expectativa elevada, estes dados serão monitorizados com grande atenção.

 

* Eduardo Silva, Analista XTB

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