Saiba o que aconteceu há 90 anos neste dia

O dia 24 de Outubro de 1929 vai ficar para sempre nos anais da história mundial.

Foram precisos 10 anos para uma economia norte-americana dinâmica recuperar daquele que foi o primeiro crash bolsista da história do país, e cujas ondas devastadoras chegaram a uma Europa ainda fragilizada pela I Guerra Mundial.

Quinta-feira, dia 24 de Outubro de 1929, a Bolsa de Valores de Nova Iorque ainda não tinha aberto e já uma vasta multidão se reunia à sua porta, conta o site da BBC HistoryExtra.

Na última hora de negociação da tarde anterior, o mercado financeiro caiu a pique, com 2,6 milhões de acções vendidas provocando uma onda de medo que durou o resto da semana. Na segunda feira-seguinte, o mercado fechou a descer 12,8% em valor, e na terça-feira – apelidada de terça-feira negra – mais 12%, levando os investidores ao desespero.

 

Saber ler os sinais

A economia norte-americana, ao contrário de outras economias industriais ainda a sofrer com os quatro anos que durou a I Guerra Mundial, mantinha-se fulgurante devido à entrada tardia na primeira das duas grandes guerras que marcaram a primeira metade do século XX.

O sucesso dos ‘liberty bonds, emitidos para o público em geral nos últimos dois anos da I Guerra para financiar o esforço dos aliados, e que garantiam um retorno de 4,25%, levou Charles Mitchell, presidente do National City Bank, a abrir escritórios de corretagem por todo o país. Aplicar as poupanças em acções era considerado respeitável e uma forma de enriquecer sem grande esforço, pelo que em meados de 1920 mais de três milhões de americanos eram investidores na bolsa.

No entanto, a maioria dos investidores recorria a empréstimos para investir. Antes do crash de 24 de Outubro, os preços recuaram ligeiramente, levando os investidores mais espertos a aproveitarem o momento, já que o mercado tinha sempre mais do que recuperado de pequenos sobressaltos anteriores. Mas os últimos dias de Outubro de 1929 acabaram por mostrar o risco de investir com alavancagem.

A produção automóvel, um dos símbolos do dinamismo económico dos EUA, recuou para um terço, o desemprego aumento exponencialmente, mais do que duplicando, para 3,25 milhões, nos seis meses que se seguiram à quebra da Bolsa.

De acordo com a BBC, o crash de Wall Street não foi a causa da Grande Depressão que os EUA viveram em anos posteriores, mas marcou o seu início.

 

Efeito borboleta

As ondas de choque chegaram a este lado do Atlântico ainda com mais força.

Nova Iorque tinha-se tornado no centro financeiro mundial, pelo que quando as ondas de choque do crash bolsista chegaram a uma Europa debilitada pela guerra, o seu efeito fez-se sentir de forma ainda mais intensa.

O Reino Unido, que ainda lutava para recuperar a economia e com uma elevada taxa de desemprego, entrou numa espiral ainda mais descendente, que o levou a incumprir com os empréstimos contraídos junto dos EUA para se financiar.

A Alemanha já estava em incumprimento há dois anos. Depois do crash, conta a BBC, os EUA retiraram o capital do país para atingir o equilíbrio económico. Como consequência, a Alemanha reduziu os gastos públicos, levando ao aumento do desemprego e à queda da produtividade, acabando mesmo o sistema bancário por colapsar em 1931.

A economia francesa, mais próspera do que a alemã ou britânica, não conseguiu resistir durante muito tempo. As exportações recuaram devido à recessão global e os sucessivos, breves, governos não conseguiram estancar a hemorragia.

Do caos emergiram novos partidos e líderes radicais, como Adolf Hitler, que se tornou chanceler alemão em 1933 e que acabou por espoletar a II Guerra Mundial.

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