Suécia começa a desenvolver a primeira criptomoeda estatal na Europa

Vai começar a ser desenvolvido pelo Riksbank, banco central da suécia, um teste piloto para criar a primeira criptomoeda estatal na Europa, denominada e-krona, coroa digital.

A ideia ainda se encontra numa fase embrionária, a autoridade monetária está a analisar todas as possibilidades, bem como os prós e contras inerentes ao lançamento de uma moeda  eletrónica, para responder à redução do uso de dinheiro na Suécia. Este pode assim vir a ser o primeiro país mundial a não utilizar dinheiro, compactuando com um estudo que prevê que em 2023 as transações em dinheiro representem menos de 7%, deixando de ser aceites pelas empresas.

De acordo com dados apurados pelo Riksbank, em 2018 apenas 13% dos cidadãos utilizaram dinheiro para pagar a última compra, uma percentagem que se via muito mais elevada em 2010, correspondendo a 39%. Simultaneamente, 40% dos inquiridos afirmaram não ter utilizado dinheiro no último mês.

Estes números refletem o declínio de caixa atravessado pelo país escandinavo, extremamente mais profundo do que em qualquer outro país. A quantidade de caixa em circulação reduziu para metade desde 2007 e o número de estabelecimentos  a não aceitar pagamentos em dinheiro tem vindo a aumentar massivamente.

Atualmente, o método de pagamento mais utilizado é o cartão de débito, ainda que o Swich, um serviço de pagamento móvel que permite transações instantâneas entre pessoas e lojas, tenha vindo a ganhar uma popularidade crescente. Já possui sete milhões de utilizadores, um valor bastante significativo considerando que a Suécia tem dez milhões de habitantes. As operações Swich assumiam cerca de 100€ por ano em 2014, um número que cresceu para 2.000€ em 2018.

O Riksbank vê-se assim a enfrentar um grande desafio, uma vez que tem de se adaptar a um futuro próximo sem dinheiro. Os motivos explicados pelo banco prendem-se com a oferta de um método de pagamento seguro em aleternativa ao mercado digital privado, tendo em conta que o o banco central emitia a moeda eletrónica sem apresentar risco de crédito ou liquidez, com o principal objetivo de evitar o monopólio de entidades privadas, controladoras atuais das plataformas de pagamento eletrónico.

Apesar da certeza de que é uma ideia com futuro, não passa ainda disso mesmo, uma ideia, que aguarda a conclusão do teste piloto, a fim de se decidir se irá ou não ser implementada, sendo primeiramente necessário avaliar as alterações legais associadas  ao projeto. O julgamento terá inicio este ano de 2020, com a criação de um teste da nova moeda eletrónica, onde o Riksbank contará com a parceria da empresa irlandesa Accenture, segundo avançado pelo jornal espanhol La Vanguardia.

No primeiro ano de  funcionamento, será criada uma plataforma de pagamento com uma interface de utilizador que permitirá realizar transações com a moeda digital a partir de um telemóvel, cartão ou relógio inteligente. Serão ainda incluídas simulações de prestadores de serviços de pagamento e postos de venda, de acordo com o banco central em meados  de dezembro. A previsão é de que o teste se estenda até ao final de 2020, embora possa prolongar-se por mais seis anos, se necessário.

Apesar de todas as vantagens mencionadas deve ter-se em consideração, conforme publicado pelo Riksbank num relatório sobre a criptomoeda do estado, determinados grupos que por diversas razões poderão não ter acesso facilitado às soluções digitais, correndo risco de serem «financeiramente excluídos», numa sociedade sem dinheiro e com um mercado integralmente privatizado.

 

 

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